A nossa grande arma

Ângelo Alves

O Mundo está a passar por enormes transformações

A guerra imperialista e sionista no Médio Oriente está a ser-nos apresentada por via de uma espessa cortina de fumo concebida e executada para propagar uma única versão e avaliação dos acontecimentos; para normalizar e nos fazer aceitar acriticamente os mais hediondos crimes; e para nos inculcar a ideia que os cruzados do século XXI são imbatíveis, que os “incivilizados” estão sempre prestes a soçobrar e que lá não existem nem forças e capacidades de resistência, nem povos a reagir aos acontecimentos.

A mentira, a desinformação e a contra-informação são as armas desse outro campo de batalha – o das ideias – que se desenvolve a par com os ultimatos, as agressões militares e os crimes de guerra no terreno. Não nos surpreende que assim seja. O imperialismo está a usar as duas armas onde ainda possui uma vantagem considerável – a força militar e o controlo da comunicação de massas – para contrariar aquilo que a realidade material nos está a gritar aos quatro ventos: O Mundo está a passar por enormes transformações e uma delas é a crescente dificuldade das principais potências imperialistas manterem o seu domínio por via dos instrumentos económicos, comerciais e políticos que usaram durante décadas. A questão central do momento é acima de tudo um embate violento entre potências imperialistas acossadas pelo seu próprio declínio e um conjunto de países e povos que não aceitam submeter-se.

Não pretendemos com estas afirmações ignorar os poderosos meios que o imperialismo, em particular os EUA, continuam a ter, minimizar os perigos que pendem sobre a Humanidade com a actual escalada de guerra, nem afirmar uma qualquer inevitabilidade de uma derrota do imperialismo, desde logo dos EUA, nas várias frentes de colonização e guerra que está a abrir. Como se vê no Médio Oriente os perigos e as consequências são enormes. A concretizar-se uma nova escalada de regionalização e internacionalização da agressão no Médio Oriente, entramos num patamar do qual ninguém sabe como se vai sair.

Mas dito isto, há uma realidade poderosa que nos está, no essencial, a ser escondida: A maior potência militar do Mundo está a ter reais dificuldades; teve já de evacuar uma parte considerável das suas bases militares na região do Médio Oriente e está a perder militares e meios; os seus stocks de armamento de ponta estão consideravelmente reduzidos e isso afecta também Israel; o Irão continua a demonstrar uma capacidade militar, tecnológica e de informações considerável e no Líbano o exército Israelita está a enfrentar tenaz resistência. E tão importante como isto: a situação económica nos EUA está em claro descontrolo, nomeadamente na questão da sua gigantesca dívida, e na Europa a continuação da guerra poderá significar uma crise muito séria. E mais: em países como o Líbano, Israel, Jordânia, Iémen, Iraque, Turquia, Síria ou Qatar, entre outros, as massas estão a sair à rua contra a agressão ao Irão e ao Líbano e em solidariedade com a Palestina. Luta e resistência também visível noutras latitudes. Em Cuba o povo prepara-se para todos os cenários, o governo revolucionário não cede a chantagens e a solidariedade e a ajuda está a chegar. Na Europa cresce a mobilização pela Paz e nos EUA o fim de semana passado foi marcado por enormes manifestações. Se é verdade que a ofensiva do imperialismo é poderosa, também é verdade que a resistência cresce e alarga-se. E isso é a nossa grande arma, deste lado da barricada.



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