Maior greve na Otis deu força ao Caderno Reivindicativo

A gerência da Otis Portugal pode declarar o fim das negociações, mas quem decide são os trabalhadores, afirmou a Comissão Intersindical, saudando todos os que fizeram a maior greve realizada na empresa.

A empresa tem condições económicas para corresponder às reivindicações

Os trabalhadores da Otis, no dia 9, fizeram uma greve de 24 horas, a nível nacional, que, segundo os sindicatos, foi a maior já realizada na filial portuguesa da multinacional, sediada nos EUA, que se afirma como líder mundial de fabrico, instalação, manutenção e reparação de elevadores e escadas rolantes.

A jornada de luta incluiu uma concentração junto da sede, em Mem Martins, e um desfile, na estrada de acesso ao IC19.

Desta forma, os trabalhadores deram visibilidade e força às exigências incluídas no Caderno Reivindicativo. Numa nota, publicada pela FIEQUIMETAL, foram destacadas as reivindicações de aumento dos salários em 15%, garantindo, no mínimo, 150 euros; fixação do salário de admissão em mil euros; criação de um subsídio de função, no valor mensal de 50 euros, para os trabalhadores que exercem a função de electromecânico, à semelhança do que sucede noutros países da Europa; aumento dos subsídios de refeição e de turno; aumento do valor das diuturnidades.

A federação realçou que, «embora recorrendo, com prepotência, a ameaças e intimidações, a gerência da Otis não impediu os trabalhadores de responderem aos apelos dos seus sindicatos (SIESI, SITE Norte e SITE Centro-Norte) e cumprirem com determinação a decisão aprovada em plenários». O comportamento patronal suscitou um pedido de intervenção da ACT.

Durante a concentração inicial, membros da Comissão Intersindical da TK Elevadores expressaram a sua solidariedade à luta. Numa nova concentração, após o desfile, intervieram membros da Comissão Intersindical da Otis, que evidenciaram a degradação das condições de trabalho e a necessidade de valorização dos trabalhadores.

Rogério Silva, coordenador da FIEQUIMETAL, e José Correia, em nome da Comissão Executiva da CGTP-IN, dirigiram palavras de encorajamento à continuação da luta, sublinhando que é possível a Otis Portugal responder às reivindicações dos trabalhadores, até porque registou 22 milhões de euros em lucros e a casa-mãe, nos EUA, já contabiliza, no quarto trimestre de 2025, vendas líquidas de 15,3 mil milhões de dólares.

Reforçando o esclarecimento sobre os conteúdos profundamente negativos do pacote laboral, apelaram à participação dos trabalhadores da Otis na manifestação nacional do próximo dia 17, em Lisboa.

Num comunicado a saudar os trabalhadores e destacando a sua coragem, a Comissão Intersindical da Otis sublinhou que a luta de dia 9 foi «um passo no processo negocial» e não «o fim da linha». Adiantou que, nos próximos dias, serão realizados plenários de trabalhadores, para avaliar eventuais alterações na posição patronal e decidir se existe margem negocial para um acordo, ou convocar novas acções de luta.



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