Fim à agressão dos EUA e Israel no Médio Oriente
EUA e Israel foram forçados pela resistência iraniana a aceitar um cessar-fogo e a abrir um processo de negociações, onde procuram alcançar com exigências inaceitáveis o que não conseguiram impor com a guerra.
Foi o Irão que forçou os EUA a pressionarem Israel a cessarem os ataques contra o Líbano
LUSA
Num mês e meio de bombardeamentos sobre o Irão, EUA e Israel mataram milhares de pessoas, incluindo centenas de crianças, destruíram infra-estruturas, hospitais, escolas, universidades e outros equipamentos sociais, habitações e património cultural. Porém, não conseguiram alcançar nenhum dos objectivos – ilegais e ilegítimos – a que se propunham, entre os quais a denominada “mudança de regime” ou a incapacitação militar do Irão, como fica evidente pela capacidade de retaliação demonstrada, capaz de afectar seriamente instalações militares e outros interesses norte-americanos na região, assim como Israel.
Ao contrário do que a Administração norte-americana procura fazer crer, o cessar-fogo anunciado no dia 8 resultou da tenacidade demonstrada pelo Irão e pela resistência no Líbano, no Iraque e noutros países da região à agressão norte-americana e israelita, assim como das pressões de aliados dos EUA, incluindo no Médio Oriente, para que cessassem as hostilidades, face às sérias consequências económicas no plano internacional resultantes da agressão militar norte-americana e israelita contra o Irão.
Foi também o Irão quem exigiu, desde o primeiro momento, que o Líbano fosse incluído no cessar-fogo. O próprio primeiro-ministro paquistanês, mediador das conversações em Islamabad, confirmou que – ao contrário do que EUA e Israel chegaram a afirmar – o cessar-fogo anunciado na madrugada de dia 8 incluía o Líbano. A firmeza iraniana conduziu a pressões dos EUA sobre Israel para que parasse os ataques contra esse país, o que foi parcialmente concretizado.
Má-fé dos EUA
À hora do fecho desta edição, era anunciado que delegações do Irão e dos EUA poderiam realizar uma nova ronda negocial em Islamabad, mediadas pelo Paquistão.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, que liderou a delegação do Irão nas anteriores negociações, afirma que os EUA, ao imporem um bloqueio no Estreito de Ormuz e ao violarem o cessar-fogo pretendem «transformar a mesa de negociações numa mesa de rendição ou justificar o retomar das hostilidades». Da parte do Irão, a pressão não resultará, pois «não aceitamos negociações sob a sombra de ameaças».
No mesmo dia, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que «persiste uma profunda desconfiança histórica do Irão em relação à conduta do governo dos EUA», que procura a rendição do Irão. Porém, salientou, «os iranianos não se submetem à força».
As autoridades iranianas têm reiteradamente afirmado que a ausência de acordo nas negociações de 11 e 12 de Abril se deve apenas às exigências excessivas dos EUA.
Presos políticos palestinianos em Israel
Assinalou-se a 17 de Abril o Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinianos. A associação palestiniana de apoio aos presos e de defesa dos direitos humanos, Adameer, refere que há actualmente 9600 presos políticos nas prisões de Israel, entre eles 342 menores, e denuncia a nova lei que permite a execução de prisioneiros políticos palestinianos como uma perigosa escalada na arquitectura da violência colonial.
O CPPC evocou a data sublinhando, entre outros aspectos, os mais de 3500 prisioneiros que se encontram em “detenção administrativa”, um regime arbitrário que permite, por decisão militar, prisões por tempo indefinido, exigindo a libertação de todos os prisioneiros políticos palestinianos detidos nas masmorras israelitas. O MPPM denuncia, entre outros aspectos, os maus tratos, espancamentos e humilhações como os que têm vindo a ser infligidos aos dirigentes políticos Marwan Barghouti e Ahmad Saadat ou ao médico pediatra Hussam Idris Abu Safiya, director do hospital Kamal Adwan, na Faixa de Gaza, raptado por Israel no dia 27 de Dezembro de 2024, durante a campanha genocida levada a cabo naquele território.




