Do Ruanda ao Sudão e à Palestina

Carlos Lopes Pereira

A União Africana (UA) assinalou, no dia 7 de Abril, em Adis Abeba, o 32.º aniversário do genocídio contra os tutsis no Ruanda. A comemoração visou sensibilizar os povos africanos e do mundo para a luta por direitos humanos fundamentais.

Calcula-se que, em 1994, ao longo de três meses, entre 800 mil e um milhão de ruandeses, a maior parte tutsis mas também hutus, foram mortos por facções extremistas.

O Departamento de Assuntos Políticos, Paz e Segurança da Comissão da UA promoveu a homenagem sob o lema «Recordar, Unir, Renovar». Foi oportunidade para evocar as atrocidades cometidas durante o genocídio, reforçar a luta contra esse tipo de extermínio, a sua ideologia, o seu discurso de ódio e outros crimes de lesa-humanidade e reafirmar a determinação de garantir que jamais volte a ocorrer tamanha barbaridade. Considerou a UA a efeméride uma ocasião importante para recordar as vítimas, mostrar solidariedade com os sobreviventes, conhecer a história do Ruanda em matéria de reconciliação, mecanismos de resolução de conflitos, construção nacional e soluções locais.

Representantes dos Estados membros da UA, diplomatas, instituições religiosas e de direitos humanos, organizações governamentais e da sociedade civil, agências da ONU, centros de investigação e entidades internacionais assistiram à cerimónia. O programa incluiu uma marcha em memória das vítimas, o acender da chama de homenagem e o lançamento do Memorial Virtual dos Direitos Humanos da UA.

Também a ONU evocou as vítimas do genocídio contra os tutsis no Ruanda e pediu que não se repitam os crimes do passado e que se lute contra o ódio e a violência. Realçou que se tratou de um dos capítulos mais obscuros da história da humanidade, durante o qual famílias inteiras foram brutalmente aniquiladas. «Hoje choramos as vítimas e honramos a sua dignidade roubada. Prestamos homenagem aos sobreviventes, cuja resiliência demonstra a força do espírito humano, e recordamos com humildade e vergonha a inacção da comunidade internacional e a falta de acção imediata para salvar vidas», destacou. Apelou a todos os países para que adiram sem demora à Convenção para a Prevenção e a Sanção do Delito de Genocídio e a implementem. E solidarizou-se com o povo de Ruanda e «com todos aqueles, em qualquer lugar, que se recusam a entregar o nosso futuro ao medo, à divisão ou ao silêncio».

A denúncia de inacção da «comunidade internacional» tem fundamento: em África, prossegue desde há três anos uma guerra no Sudão, que já provocou dezenas de milhares de vítimas, mais de 11 milhões de deslocados, «a maior crise de fome do mundo» e vasta destruição de infra-estrutura civil. E, no Médio Oriente, continua o genocídio israelita contra o povo da Palestina, em especial na Faixa de Gaza, e as bárbaras agressões contra os povos do Irão e do Líbano, da responsabilidade dos Estados Unidos da América e do braço armado do imperialismo norte-americano na região, Israel, cujo primeiro-ministro tem sobre si um mandado de captura, do Tribunal Penal Internacional, que o acusa de crimes de guerra e outros.

Face ao belicismo incrementado pelos EUA e aliados (NATO e União Europeia à cabeça), uma séria ameaça para a Humanidade, são cruciais o fortalecimento da luta pela paz e a solidariedade com os povos que defendem a sua soberania e os seus direitos.

 



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