A realidade continua a mover-se

Manuel Rodrigues

O pacote laboral voltou a ser discutido na semana passada na Concertação Social e o Governo acelera quanto pode a sua finalização.

A discussão «não se vai eternizar», garantiu, peremptória, a ministra do Trabalho – depois de ter promovido reuniões com as confederações patronais e a UGT, fugindo à discussão com a CGTP-IN –, sublinhando que o processo está «na recta final».

Foi neste quadro que o Secretário-Geral do PCP, no debate com o primeiro-ministro na AR, na semana passada, contestou, mais uma vez, o pacote laboral e, com exemplos concretos, denunciou os seus objectivos perversos.

Em resposta, o primeiro-ministro acusou Paulo Raimundo de falar abusivamente em nome dos trabalhadores, considerando que «o próprio movimento sindical perdeu representatividade».

Perdeu representatividade? Como avaliará o primeiro-ministro a representatividade da organização dos trabalhadores e a mobilização e impacto da sua luta?

É que, se o pacote laboral, até hoje, não foi aprovado, isso só foi possível devido à dimensão da luta que os trabalhadores têm travado e à força da sua organização. Exemplos disso são, entre tantas outras lutas, as manifestações de 20 de Setembro, a marcha de 8 de Novembro, o abaixo-assinado com mais de 190 mil assinaturas, a greve geral de 11 de Dezembro, no ano de 2025 e, já em 2026, as manifestações de 13 de Janeiro e, na semana passada, a grande manifestação de 17 de Abril, acompanhada de uma vasta adesão à greve num número significativo de empresas, que voltou a demonstrar a força dos trabalhadores e a sua inequívoca rejeição do famigerado pacote laboral.

Dúvidas sobre a representatividade da organização dos trabalhadores? Que não as tenha o primeiro-ministro. A menos que queira assumir de novo o papel ridículo que desempenhou face à greve geral de 11 de Dezembro, ao subestimar, com arrogância, os seus impacto e dimensão.

Se o primeiro-ministro não enxergou até hoje a força impetuosa da luta dos trabalhadores (indissociável da sua organização), que a manifestação da passada sexta-feira voltou a confirmar, veja, então, as comemorações populares do 25 de Abril, a jornada de luta do 1.º de Maio e as lutas que se vão seguir, que irão, mais uma vez, confrontá-lo com aquilo que (mentindo, é certo) insiste em dizer que não vê.

É que, independentemente da vontade do primeiro-ministro, a realidade continua a mover-se . E será a luta dos trabalhadores a ditar a derrota do pacote laboral.



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