Dar mais força à solidariedade!

Albano Nunes

O imperialismo é cínico e perigoso

No momento em que se escrevem estas linhas, a atenção dirige-se especialmente para o Médio Oriente, onde, na sequência dos reveses sofridos na agressão contra o Irão, os EUA se viram forçados a um cessar-fogo e a negociações que suscitam naturais expectativas, tanto mais quanto a propaganda trumpista navega entre a ideia de que Teerão está a vergar-se às exigências norte-americanas e a de que, se não se vergar completamente, verá a sua civilização varrida da face da terra. A situação é muito perigosa. A par do bloqueio ao Irão, os EUA continuam a concentrar fortes meios militares na região e Israel, forçado a um “cessar-fogo” no Líbano, que não respeita, prossegue impunemente o genocídio do povo palestiniano e proclama abertamente o objectivo expansionista do “Grande Israel”, do Nilo ao Eufrates.

Entretanto, o foco no Médio Oriente não deve distrair-nos em relação a outras regiões onde o imperialismo procura impor-se pela força. A guerra na Ucrânia continua sem fim à vista e, com o pretexto do “desinteresse dos EUA pela Europa”, prossegue a corrida aos armamentos e a militarização da economia. O grande capital europeu mostra-se decidido a alimentar um perigosíssimo foco de tensão e de guerra no Leste da Europa para justificar a intensificação da exploração, o ataque a liberdades e direitos fundamentais, a promoção de valores e forças de extrema-direita. Continuam os esforços para fazer da UE um grande bloco imperialista para (dizem-no abertamente) disputar a influência internacional aos EUA e à China. A Alemanha, na dianteira deste processo, anuncia colossais despesas militares, transforma fábricas de automóveis em empresas de produção de armamento, sela com a Ucrânia um acordo milionário de produção de drones, anuncia restrições às viagens ao estrangeiro de jovens por razões de serviço militar. Por seu lado, a França de Macron anuncia o aumento do seu arsenal nuclear e propõe-se pô-lo ao serviço do conjunto das restantes potências da UE e da NATO. E na América Latina e Caraíbas, onde com o relançamento da “Doutrina Monroe” o imperialismo yankee visa submeter completamente os países da região ao seu domínio, não esquecemos a agressão à Venezuela Bolivariana e as ameaças que pairam sobre Cuba socialista, cujo povo, com o agravamento do bloqueio, está a ser sujeito a grandes privações e sofrimento.

Lutando pela solução política dos conflitos, é necessário não perder de vista que o imperialismo, particularmente com a administração Trump, é cínico e perverso, mente descaradamente, viola sem vergonha acordos alcançados. A possibilidade de obrigar o imperialismo a respeitar compromissos não está na mesa das negociações, está no plano político, na determinação dos povos em afirmar a sua soberania, no descrédito e isolamento dos agressores. Em suma, na resistência dos povos, na solidariedade internacionalista e na intensificação da luta pela paz. Neste sentido é oportuno salientar a realização no passado fim de semana da Conferência “No Centenário de Fidel Castro. Cuba, a Revolução e o Mundo” e o Concerto “Todos por Cuba. Fim ao bloqueio e às ameaças dos EUA”. A par da heróica resistência do povo cubano, a solidariedade internacionalista é de decisiva importância para impor ao imperialismo o respeito pela soberania de Cuba.

 



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