A TAP e os Amigos de Peniche
Os Amigos de Peniche é uma expressão que vem dos tempos em que tropas inglesas desembarcaram na Praia Sul de Peniche e dali se dirigiram para “ajudar” Portugal na luta contra os franceses, e no caminho roubaram, pilharam e violaram tudo o que puderam, e chegados à capital ocuparam o nosso país por uns bons anos.
Vem isto a propósito da TAP. Que foi obrigada a vender a Cateringpor, a empresa que prepara as suas refeições de bordo e de outras companhias. Vendeu-a necessariamente barato, necessariamente a uma multinacional e contra vontade. Os quase 400 trabalhadores da Cateringpor também ficam com o futuro mais precarizado, por muito que agora lhes prometam o contrário. Dizem-nos que fazia parte do pacote de ajuda à TAP… Que está a ser obrigada a vender a sua participação na SPDH, a empresa que faz a sua assistência em escala, que lhe foi arrancada por imposição da UE que agora lhe exige que se desfaça dela. Também fazia parte do pacote de ajuda à TAP.
Que corre o risco de pagar 500 milhões em indemnizações por despedimentos ilegais que lhe foram impostos pela UE e pelo governo PS. Também fazia parte da ajuda à TAP, que disse sempre que aqueles trabalhadores faziam falta e não pretendia despedi-los. Mas obrigaram-na, primeiro a despedir, agora a indemnizar.
Que tem um processo movido pela Azul por causa do governo PS, para ajudar a TAP, ter convertido um empréstimo da Azul convertível em acções quando estas valiam zero num empréstimo obrigacionista na negociata realizada porque não quis nacionalizar a TAP sem um acordo com o capitalista que a estava a destruir.
Não tem outro nome. É um processo criminoso. Sistemático. De destruição da TAP, deste país e de uma das suas últimas grandes empresas nacionais. Um processo conduzido a partir da União Europeia, com claros objectivos políticos e económicos – destruição da soberania nacional, concentração e centralização de capitais – mas que é executado por entidades portuguesas, do Governo aos pseudo-reguladores, que mais não fazem do que colaborar na concretização dos objectivos antinacionais e antilaborais da UE.




