Irão resiste a pressões dos EUA e apresenta condições para negociar

Sem conseguirem alcançar nenhum dos objectivos a que se tinham proposto com a agressão militar ao Irão, os EUA procuram esconder a derrota que lhes foi imposta e teimam em conseguir pelo bloqueio naval e as sanções o que não conseguiram pela força das armas.

Irão responsabiliza exigências desmesuradas dos EUA pelo falhanço das negociações

Lusa

Até à hora do fecho desta edição, continuava a não haver confirmação da realização de uma nova reunião negocial entre o Irão e os EUA. Nos últimos dias chegaram a ser anunciados novos encontros entre delegações dos dois países, uma vez mais no Paquistão, que acabaram por não ocorrer.

Segundo diversas fontes, o Irão terá apresentado uma proposta de três fases para as negociações, que poderiam ser retomadas caso os EUA concordassem com ela. A fase inicial implica o fim da agressão norte-americana e israelita e a obtenção de garantias de que os ataques contra o Irão e contra o Líbano não seriam retomados. Durante esta fase, nada mais estaria em discussão para o Irão. Concluída esta fase, as discussões passariam para a questão do Estreito de Ormuz, estando o Irão disposto a coordenar com Omã (que se encontra do outro lado do estreito) para estabelecer uma nova estrutura legal que regule a via navegável estratégica. A terceira fase abordaria o programa nuclear.

Na segunda-feira, em Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, referiu-se às exigências dos EUA, às suas constantes mudanças de posição, à retórica ameaçadora e às frequentes violações dos seus compromissos, como responsáveis pelo bloqueio do processo diplomático. E acrescentou que futuras decisões sobre negociações terão em conta a experiência passada do Irão, nomeadamente as agressões militares (em Junho de 2025 e em Fevereiro último) de que foi alvo por parte dos EUA enquanto decorriam negociações, mas também o aumento das sanções e a contínua pirataria marítima dos EUA contra o Irão.

No caso do Líbano, muito embora o presidente norte-americano tenha anunciado o prolongamento do cessar-fogo por mais três semanas, os ataques de Israel continuam, assim como os embates das forças ocupantes israelitas com a resistência libanesa.

Ataque brutal

Números divulgados recentemente pelas autoridades iranianas davam conta de mais de três mil mortos e milhares de feridos. Segundo dados avançados no início da semana pelo ministro da Saúde do Irão, os ataques norte-americanos e israelitas contra o seu país provocaram estragos em 50 hospitais e outras tantas instalações de emergência médica. Apesar disso, notou, 40 mil pessoas foram tratadas em postos de saúde de todo o país. Apesar de ter sido atacado, e parcialmente destruído, o Instituto Pasteur de Teerão continua a produzir e distribuir vacinas, confirmou o seu director.

Também o ministro da Educação fez um balanço de 40 dias de bombardeamentos: 279 estudantes e 67 professores foram assassinados; cerca de 1200 escolas ou centros educativos foram danificados ou até mesmo destruídos.

O responsável do Crescente Vermelho Iraniano anunciou no dia 25 que mais de sete mil pessoas foram resgatadas com vida dos escombros de edifícios destruídos pelos bombardeamentos dos EUA e de Israel. As equipas de busca e salvamento realizaram 1711 missões bem sucedidas. As chamadas telefónicas a pedir socorro ascenderam a sete milhões.

Juventude solidária com a Palestina

A Juventude Comunista Portuguesa (JCP) está a promover uma carta aberta condenando a recente aprovação pelo parlamento israelita de uma lei que torna a pena de morte a sentença para «os presos palestinianos que tenham exercido o legítimo direito à resistência face à violenta e ilegal ocupação, colonização e opressão imposta por Israel», o que constitui um «novo e grave passo na política genocida de Israel contra o povo e a juventude palestiniana». O documento, que continua aberto a novas subscrições, foi já subscrito por 76 organizações de juventude de todo o mundo. Para além da exigência da retirada da lei, as organizações juvenis prestam a sua solidariedade com a luta do povo palestiniano e afirmam o seu direito à resistência.

 



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