Díaz-Canel denuncia genocídio contra Cuba
Cuba é vítima de um genocídio friamente calculado, denunciou o presidente Miguel Díaz-Canel, que fez um apelo urgente à consciência mundial: «Não se convertam em cúmplices doutro genocídio. O bloqueio dos EUA só funciona com a cumplicidade dos que temem o poder de Washington mais do que o juízo da História».
«Antes foram Gaza, Líbano, Irão. Hoje é Cuba. Amanhã pode ser qualquer outro país»
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, ao falar no domingo no acto central nacional das comemorações do 26 de Julho, celebrado na cidade de Pinar del Río, no extremo ocidental da ilha, denunciou que «Cuba é vítima de um genocídio friamente calculado».
Asseverou que o governo dos Estados Unidos da América (EUA) «desenhou e implementou conscientemente uma política de máxima asfixia económica contra o povo cubano» com um cerco energético e financeiro que provocou uma profunda crise no sistema electro-energético nacional.
«A única ameaça real contra a paz mundial e contra a vida humana é a política de agressões que provocam fomes, empobrecimento, migrações desordenadas, caos, instabilidade e dezenas de milhares de mortes», afirmou.
Pormenorizou as consequências do bloqueio: apagões de mais de um dia, paralisação de indústrias, mortes por falta de medicamentos que antes o país produzia e entregava de forma gratuita ou subsidiada, e mais de 100 mil cirurgias suspensas pela impossibilidade de proteger os hospitais dos cortes eléctricos.
Na sua intervenção, o chefe do Estado afirmou: «Antes foram Gaza, Líbano, Irão. Hoje é Cuba. Amanhã pode ser qualquer outro país». E, a partir de Pinar del Río, lançou um apelo urgente à consciência mundial: «Não se convertam em cúmplices doutro genocídio. O bloqueio dos EUA só funciona com a cumplicidade dos que temem o poder de Washington mais do que o juízo da História».
Díaz-Canel advertiu que «cada vez que um governo aceita as sanções ilegítimas dos EUA, é corroído o princípio da não intervenção. Cada vez que uma empresa abandona os seus investimentos em Cuba por medo de represálias, é fortalecida a ditadura económica de uma só potência».
Mais: «Defender Cuba da crueldade dos seus verdugos não é algo que possa esperar. Defender Cuba com força e urgência é cortar o avanço das ideias supremacistas, racistas, xenófobas, elitistas, excludentes, inimigas da liberdade verdadeira».
No seu discurso no acto central pelo 73.º aniversário do assalto aos quartéis Mocada e Carlos Manuel de Céspedes – Dia da Rebelião Nacional – Díaz-Canel reafirmou que «lutamos obstinadamente pela liberdade e a soberania conquistadas». E evocou as ameaças dos inimigos da Revolução, que constantemente aplicam sanções de maneira infame a entidades e pessoas.
Na madrugada de 26 de Julho de 1953, Fidel Castro e seus companheiros assaltaram os quartéis Moncada (em Santiago de Cuba, no extremo oriental do país) e Carlos Manuel de Céspedes (em Bayamo), para capturar armas ali guardadas. A acção fracassou, mas marcou o início da luta armada contra a ditadura de Fulgencio Baptista e do processo revolucionário cubano.
Encontro internacional de solidariedade com Cuba
No quadro das comemorações do 26 de Julho, realizou-se na véspera, em Pinar del Río, um encontro de solidariedade com Cuba, convocado pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP). Participaram dezenas de activistas, integrantes de organizações sociais e brigadas procedentes de países da América Latina, Europa, e África e dos EUA.
Os participantes exigiram o cessar definitivo das políticas coercivas contra a ilha e ratificaram que Cuba não está só na defesa da sua soberania.
O evento foi moderado pelo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel e pelo presidente do ICAP, Fernando González, que destacaram a transcendência da solidariedade internacional no actual cenário regional e global complexo.
«O facto de estarem aqui presentes tem muitíssimo peso. Hoje estão a tentar esmagar com políticas agressivas e fascistas a autodeterminação dos povos. Todos os dias sanções e ameaças alimentam a possibilidade de uma agressão contra o país. Agradecemos a vossa companhia neste longo caminho que nos cabe percorrer», disse Díaz-Canel.
«Esta reunião celebra-se num momento muito particular, em que o inimigo intensifica as suas ameaças de agressão à ilha e àqueles que manifestam a sua solidariedade. Por isso, é tão significativo que nos acompanhem hoje», considerou o presidente do ICAP.




