Palestina rejeita manobra israelita para isolar Jerusalém ocupada
Na Cisjordânia ocupada, Telavive elevou o estatuto de um colonato para liquidar a continuidade territorial. A colonização em torno de Jerusalém consolida uma anexação de facto de terras palestinianas.
Aproximadamente 1,4 milhões de pessoas na Faixa de Gaza padecem de insegurança alimentar aguda
A Comissão Palestiniana de Resistência contra o Muro e os Colonatos denunciou que a decisão do regime israelita de elevar o estatuto do colonato de Givat Ze’ev ao nível de cidade constitui um crime de guerra visando isolar por completo Jerusalém ocupada. A medida, segundo a instituição, procura acelerar a expropriação de terras e fortalecer a expansão colonial na Cisjordânia ocupada.
O director do Departamento de Direito Internacional do organismo, Hassan Breijieh, afirmou que a classificação administrativa outorga «amplos privilégios administrativos e financeiros» para acelerar a colonização a noroeste da cidade ocupada. Explicou que a mudança pretende consolidar um cerco estratégico sobre a capital palestiniana, ao ligar Givat Ze’ev com Ma’ale Adumin a leste e o bloco Gush Etzion a sul, com o objectivo de liquidar a continuidade territorial.
A decisão foi formalizada mediante uma ordem militar assinada pelo chefe do Comando Central das forças de ocupação, general Avi Blot, com respaldo da cúpula política israelita. De acordo com as autoridades palestinianas, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, confirmou que a iniciativa procura impedir a criação de um Estado palestiniano e impulsionar a chegada massiva de colonos mediante isenções fiscais de 130 milhões de shekels (mais de 42 milhões de dólares).
A Comissão assinalou que estas medidas fazem parte da estratégia da extrema-direita israelita para superar o milhão de habitantes ilegais nos territórios ocupados da Cisjordânia. Advertiu, além disso, que a expansão de Givat Ze’ev, com mais de 35 mil colonos, representa um ataque directo ao direito à autodeterminação do povo palestiniano.
As autoridades palestinianas consideram que a colonização em torno de Jerusalém e a sua projecção para o Néguev e a Galileia consolidam uma anexação de facto de terras palestinianas.
Fome na Faixa de Gaza
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimam que aproximadamente 1,4 milhões de pessoas na Faixa de Gaza padecem de «insegurança alimentar aguda».
Os números equivalem a 67 por cento da população total do enclave e, embora evidenciem uma ligeira melhoria face aos 1,6 milhões de afectados (77 por cento) reportados em finais do ano de 2025, mantêm o panorama a um nível crítico.
As duas organizações internacionais, ligadas às Nações Unidas, precisaram que cerca de 212 mil pessoas se encontram na fase quatro da Classificação Integrada das Fazes da Segurança Alimentar (IPC), correspondente a uma emergência humanitária.
As condições de distribuição de ajuda complicam-se nos territórios adjacentes à linha de controlo militar israelita, onde as dificuldades de acesso restringem a entrega de suprimentos e serviços humanitários.
Quanto a projecções assistenciais para o próximo ano, estima-se que cerca de 74 mil crianças exigirão tratamento especializado por desnutrição aguda, enquanto que cerca de 25 mil casos de mulheres grávidas e lactantes precisarão de apoio nutricional.
A campanha genocida perpetrada por Israel desde Outubro de 2023 na Faixa de Gaza deixou até agora cerca de 73.300 mortos e mais de 173.900 feridos, segundo balanços de fontes palestinianas.
O prolongamento da ocupação militar israelita no enclave agudizou a crise sanitária no território, onde a destruição total de dezenas de centros de saúde provocou o colapso da assistência médica e acelerou o contágio de doenças infecciosas graves.




