A luta é a resposta à crise que dá lucros aos grandes grupos
Concentrações hoje em Lisboa, Évora e Leiria
Persistir na luta
A acção descentralizada da CGTP-IN tem hoje mais um ponto alto, com uma concentração distrital em Lisboa, frente ao Ministério do Trabalho, e acções semelhantes em Évora e Leiria.
Proclamando que «É hora de mudar!» e dirigida contra a precariedade e o desemprego, por mais emprego, salário e direitos, a acção descentralizada decorre desde Janeiro e deverá culminar a 26 de Março, na manifestação nacional da juventude trabalhadora, em Lisboa.
Na quinta-feira, em Aveiro, a estrutura distrital da CGTP-IN levou a cabo um «cerco» ao edifício da Segurança Social, acusando o Governo e o patronato de a transformarem numa autêntica «vaca leiteira», que gerem de acordo com os seus interesses políticos e económicos, apesar de ser alimentada pelos descontos dos trabalhadores.
A iniciativa começou cerca das 15 horas, reunindo várias centenas de trabalhadores e reformados, sobressaindo a forte presença de trabalhadores da metalúrgica Oliva. Joaquim Almeida, coordenador da União dos Sindicatos de Aveiro e membro da Comissão Executiva da CGTP-IN, defendeu que «o saque feito à Segurança Social manifesta-se de diversas formas, designadamente no pagamento de 60 por cento dos salários de trabalhadores em lay-off e suspensão de contratos de trabalho; pagamento de salários em atraso e indemnizações por despedimento; montante de dívidas declaradas à Segurança Social, que não pára de aumentar». Renovou as exigências de mais fiscalização, de revogação do factor de sustentabilidade e melhores pensões, de novas fontes de financiamento do sistema.
No local da concentração esteve o Secretário-geral do PCP, que nesse dia visitava o distrito. Jerónimo de Sousa manifestou solidariedade e apoio à acção e foi saudado pelos manifestantes. Em breves declarações, considerou que as alterações dos últimos anos, na Segurança Social, conduzem a que os trabalhadores trabalhem mais e recebam menos, salientando que não é prestado qualquer apoio a milhares de desempregados, enquanto o Governo está sempre de mãos abertas, para facilitar a vida às entidades patronais.
Depois de uma delegação sindical entregar a responsáveis distritais da Segurança Social um documento, com o essencial da posição da CGTP-IN, o «cerco» transformou-se em manifestação, percorrendo algumas das principais artérias da cidade, rumo ao Governo Civil.
No sábado, em Faro, a acção da CGTP-IN reuniu, segundo a agência Lusa, cerca de meio milhar de pessoas, que começaram por se concentrar junto ao liceu, para depois desfilarem até à baixa da capital algarvia. «Foi uma boa adesão» a «uma das etapas da luta que vamos continuar contra a precariedade e o desemprego, pela promoção do emprego e pelo desenvolvimento da região», considerou António Goulart, coordenador da União dos Sindicatos do Algarve e membro do Conselho Nacional da CGTP-IN. Nas declarações aos jornalistas, salientou a «situação muito grave» vivida no distrito, onde o IEFP registou, em Janeiro, perto de 30 mil desempregados, «número nunca atingido» antes e que, na realidade, «é superior». «Sabemos que todos os dias estão a encerrar empresas, sabemos que milhares de famílias algarvias estão a passar muito mal, também sabemos que não vai ser o verão turístico que vai resolver o problema», acrescentou, criticando o «autêntico circo, que é, ao fim-de-semana, vir à região um ministro, uma ministra ou um secretário de Estado, cortar uma fitas, fazer umas inaugurações e anunciar uns milhões».
Pela forte presença nesta acção e pela maior actualidade do problema, destacaram-se, na manifestação, as trabalhadoras e os trabalhadores da Alicoop, uma importante rede de supermercados que está ameaçada de falência, porque a viabilização continua a ser impedida pela Caixa Geral de Depósitos, que recusa arriscar 1,2 milhões de euros.
Na segunda-feira, dia 22, teve lugar uma concentração na Guarda, frente ao Centro de Emprego, seguida de desfile, em cordão humano, até à delegação da ACT e ao Governo Civil, com a participação de meia centena de trabalhadores.
Ontem e anteontem, realizaram-se concentrações de trabalhadores da Rodoviária de Lisboa, da Vimeca e da Scotturb, junto às sedes das empresas, no âmbito de um conjunto de acções que a Fectrans/CGTP-IN leva a cabo nos sectores dos transportes e comunicações, durante esta semana.

Mobilizar e comparecer

Hoje
Greve nacional dos enfermeiros do INEM. Greve nacional dos trabalhadores das cantinas, refeitórios e fábricas de refeições, com concentração (11.30 horas) junto à sede da AHRESP.
LISBOA - 15 horas, concentração distrital no Ministério do Trabalho. Greves na Centralcer, Unilever, Soplacas, Cimianto, Secil Prebetão, SUCH e Triumph. Iniciativas no Pingo Doce (Rua 1.º de Dezembro) e na Resiquímica. Concentração de jovens trabalhadores dos transportes e comunicações, de manhã, nos Restauradores, com ida ao Ministério (MOPTC); de tarde, participam na acção distrital, no Ministério da Trabalho.
LEIRIA - Concentração de trabalhadores com salários em atraso, e acções junto de empresas.
ÉVORA - Plenário distrital, no Restaurante Manuel Galhetas, com início às 9.30 horas, e deslocação ao Governo Civil, pelas 16 horas.
PORTO - Concentração de trabalhadores da EMEF (Porto/Guifões), junto ao Governo Civil, às 14 horas.

Amanhã
COIMBRA - Concentração na Praça 8 de Maio, às 15 horas, e manifestação até ao Governo Civil.
EMEF - plenários de trabalhadores no Entroncamento, no Barreiro (com proposta de deslocação às câmaras municipais) e na Figueira da Foz.
LISBOA - Greve de 24 horas dos trabalhadores da Cel-Cat.

Sábado
COVILHÃ - Manifestação, com saída, às 15.30 horas, do Largo junto ao GIR do Rodrigo.

Terça-feira, 2 de Março
Concentração, às 14 horas, de trabalhadores dos transportes e comunicações, junto do respectivo ministério, em Lisboa.

Quarta-feira, 3
SETÚBAL - Concentração, às 9 horas no Jardim do Quebedo, seguida de manifestação até ao Governo Civil.
PORTALEGRE - Acções no distrito e vigília junto ao Governo Civil.

Quinta-feira, 4
Greve nacional da Administração Pública.


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