A multinacional tem obtido muito elevados lucros em Neves-Corvo
Mineiros rechaçam chantagens
<i>Somincor</i> em greve
Com adesão praticamente total, entre os trabalhadores do fundo da mina, prossegue em Neves-Corvo a série de paralisações de duas horas diárias por turno, iniciada no dia 16 e sem fim determinado.
A luta tem-se reflectido na redução acentuada da extracção de minério. A falta de matéria-prima, notada logo desde o segundo dia de greve, foi ilustrada por um dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, na segunda-feira. Citado pela agência Lusa, Jacinto Anacleto estimou em 10 a 15 toneladas de concentrado de cobre a produção, por hora, nos dias de greve, enquanto, com a mina a trabalhar normalmente, as lavarias estariam a produzir 90 a cem toneladas.
O dirigente do STIM e da Fiequimetal/CGTP-IN alertou, na ocasião, que a administração teria decidido juntar ao pouco minério extraído uma quantidade substancial de outros materiais, como minérios estéreis e escombros, o que poderia constituir mesmo gestão danosa. Mas, anteontem, a Somincor anunciou que, no dia seguinte, a lavaria iria parar.
Também para ontem, o sindicato anunciou a realização de um plenário geral (em reuniões descentralizadas, nos três horários de início dos turnos, desde as 16 horas e até às 8 horas de hoje), «para fazer o ponto da situação e decidir as formas de continuar a luta». Pelas 10.30 horas de quarta-feira, uma delegação sindical iria deslocar-se ao Governo Civil de Beja, para exigir que o Executivo do PS e de José Sócrates assuma as suas responsabilidades.
Perante a falta de resposta positiva da administração, que nem se mostrou aberta a negociar com os representantes dos trabalhadores, foram enviadas comunicações do sindicato aos ministros do Trabalho e da Economia, ainda na semana passada, para que estes promovam a resolução do conflito.
O sindicato e os trabalhadores reclamam um aumento de cem euros, no «subsídio de fundo», para laboração em condições especialmente penosas, e o cumprimento integral do compromisso assumido pela Somincor, relativo à compensação pecuniária atribuída para que o Dia de Santa Bárbara (padroeira dos mineiros, a 4 de Dezembro) passasse a ser um dia normal de trabalho. Neste último caso, a administração apenas pagou metade da compensação de 2009.
Para a empresa, a satisfação das reivindicações dos trabalhadores não constitui um esforço, tendo em conta a cotação do cobre e os elevados lucros obtidos - defende o STIM, salientando que o aumento do subsídio de fundo representa pouco mais de três euros por dia, para cada trabalhador, e que é justo «que quem contribui para a criação de riqueza reclame justiça na repartição da mesma».
Respondendo a declarações do Governador Civil de Beja, no fim-de-semana, sobre a luta na Somincor, o sindicato considerou-as «reveladoras de um anticomunismo básico» e «totalmente desenquadradas daquilo que são as funções» do representante do Governo no distrito. Deste «seria expectável» que «desse sequência às requisições de assunção de responsabilidades feitas por este sindicato aos ministérios do Trabalho e da Economia», retorquiu o STIM, numa carta-aberta que divulgou segunda-feira.

Solidariedade

O PCP, através da Organização Regional de Beja, expressou solidariedade para com os mineiros em luta, num comunicado em que igualmente «denuncia e rejeita as pressões da Lundin Mining e as manobras do governador civil». «As justas lutas dos trabalhadores não agravam a «crise», ajudam a resolvê-la», afirma o Secretariado da direcção regional do Partido, na nota divulgada segunda-feira, depois de uma delegação se ter deslocado à mina.
A União dos Sindicatos de Beja expressou igualmente a sua solidariedade com os trabalhadores em greve, saudando esta «grande manifestação de unidade na acção».
A Câmara Municipal de Castro Verde aprovou, por unanimidade, no dia 17, uma moção de solidariedade com a luta dos trabalhadores da mina de Neves-Corvo.


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