«Só lutando é possível resistir»
Frente Comum prepara greve geral
Mobilização sem precedentes
Os plenários até agora realizados têm demonstrado que a preparação da greve de 4 de Março na Administração Pública está a ser «um momento alto de mobilização, sem precedentes».
«Muitos dos trabalhadores que, pela primeira vez, participaram num plenário sindical têm demonstrado total disponibilidade para a luta, não só de 4 de Março como para as acções já agendadas para Abril e a manifestação nacional em Maio», revelou ao Avante!, a coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila.
Em plenários e reuniões sectoriais, que visam o esclarecimento e a mobilização dos trabalhadores, cada vez mais funcionários de todos os sectores da Administração Pública têm manifestado a sua indignação e descontentamento com a intenção do Governo de impor mais um ano de cortes nos salários - e também nas pensões, agora através da nova fórmula de cálculo dos descontos para a ADSE, esclareceu.
Ainda a propósito das regras de aposentação, a dirigente sindical recordou que «o Governo pretende antecipar os cortes que estavam previstos para 2015, faltando mais uma vez aos compromissos que já tinha assumido».
Exemplos da grande mobilização que está a merecer a greve de 4 de Março, têm sido os plenários e reuniões em institutos públicos e privados, de que é exemplo o ocorrido no Centro Regional de Segurança Social de Lisboa, mas também a grande participação em reuniões em vários serviços hospitalares e centros de saúde, e de trabalhadores não docentes, nos agrupamentos de escola, por todo o País. Nas autarquias, a participação tem sido praticamente total, revelou Ana Avoila.
«Significa isto que vamos ter, no Continente e nos Açores, uma greve muito significativa, que será fortemente sentida em toda a Administração Pública», garantiu.
«Esta grande participação, nesta fase preparatória, é a prova de que os trabalhadores estão a entender que só lutando é possível resistir, porque, actualmente, o ambiente, nos locais de trabalho é péssimo, a todos os níveis», explicou. «Há medos, coacções psicológicas e discriminações, que criam a divisão entre trabalhadores, através do recurso à calúnia e à demagogia, designadamente aludindo-se a supostos privilégios de que a esmagadora maioria dos funcionários públicos não usufrui», esclareceu.
Devido à calamidade ocorrida no fim-de-semana passado, a Frente Comum desconvocou a greve na Região Autónoma da Madeira, através de um comunicado onde manifestou a sua solidariedade com os trabalhadores e o povo madeirenses.
Na semana passada, os sindicatos da UGT (Sintap e STE) anunciaram que também vão convocar greve para 4 de Março.

A luta não pára

Para ontem, no âmbito da acção nacional descentralizada da CGTP-IN, o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa tinha marcados três plenários, para a Praça do Município, em horários distintos, para os trabalhadores dos períodos nocturno e diurno da limpeza urbana, e os contratados a prazo.
No dia 18, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local entregou ao presidente da Assembleia da República uma petição com mais de sete mil assinaturas, recolhidas por todo o País, entre os dias 5 e 17. O sindicato pretende ver clarificado um relatório do Tribunal de Contas baseado no artigo 156.º da Lei do Orçamento de Estado de 2007, por considerar que «fere os princípios basilares da Lei da autonomia do Poder Local e não respeita a lei sobre as atribuições e competências das autarquias, pondo em causa a legalidade da atribuição de subsídios, pelos municípios, aos serviços sociais daqueles trabalhadores».
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, além de ter convocado uma greve, para hoje, nos serviços do INEM, fez saber que estará presente na reunião negocial, amanhã, convocada pelo Ministério da Saúde. O SEP considerou inadmissível este agendamento, depois de os enfermeiros terem cumprido, em Janeiro, uma greve de três dias que culminou com a maior manifestação de sempre desta classe, sem que o Ministério tenha, até agora, respondido satisfatoriamente às reivindicações dos enfermeiros. Ontem, o sindicato sensibilizou a população com a distribuição de um comunicado onde se esclarecem os motivos da luta «Pela sua dignidade, pela defesa do utente e do SNS», e ia entregar à governadora Civil do Porto uma resolução onde manifesta o descontentamento dos enfermeiros pela «forma como estão a ser tratados pelo Ministério da Saúde».


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