Belgas condenam política anti-social do governo
Mais de 120 mil protestam em Bruxelas
Belgas lutam pelo futuro

Trabalhadores dos sectores público e privado, jovens estudantes e população em geral realizaram, dia 6, em Bruxelas, a maior manifestação sindical dos últimos 30 anos na Bélgica.

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Vieram das regiões da Flandres, da Valónia e de Bruxelas em número muito superior às melhores expectativas dos sindicatos, confirmando o profundo sentimento de descontentamento que atravessa as diferentes gerações da sociedade belga.

O programa anti-social do governo, dominado pelos nacionalistas flamengos de Bart De Wever, esteve naturalmente no centro dos protestos, já que as medidas preconizadas representam uma intolerável redução do poder de compra e dos direitos, até aqui considerados adquiridos pelos belgas.

O aumento da idade da reforma dos 65 para os 67 anos, a suspensão da norma que determinava actualizações salariais equivalentes à taxa de inflação, o desmantelamento da companhia pública de caminhos-de-ferro, os cortes no financiamento da educação e outras áreas sociais – são em resumo algumas das medidas que o governo de direita pretende levar a cabo.

Todavia, não foi só contra este apertar de cinto que os belgas saíram massivamente à rua.

Vieram sobretudo reclamar justiça social, como ilustrava a grande profusão de cartazes e dísticos denunciando a evasão fiscal por parte das multinacionais ou exigindo a aplicação de um imposto sobre as grandes fortunas.

Vieram repudiar uma política de classe que continua a massacrar as camadas laboriosas e mais desfavorecidas, em benefício das elites económicas que não conhecem restrições.

Luta em ascenso

Esta jornada, convocada pelas duas principais centrais sindicais, a Federação Geral dos Trabalhadores da Bélgica (FGTB) e a Confederação Sindical Cristã (CSC), dissipou eventuais dúvidas sobre a determinação dos belgas de obrigar o governo a recuar nos seus propósitos.

Sinais claros nesse sentido surgiram nos últimos meses e em particular nas últimas semanas. Primeiro foi a grande manifestação de estudantes em 2 de Outubro. Depois, uma sucessão de greves, decididas localmente pelos ferroviários da Charleroi, Liège e Louvière, na Valónia.

Agora já ninguém põe em dúvida o sucesso das próximas acções convocadas pela frente sindical: 24 de Novembro, greves nas regiões de Hainaut, Luxembourg, Limbourg e Antuérpia; 1 de Dezembro, greves nas regiões de Namur, Liège, Flandres Ocidental e Flandres Oriental; 8 de Dezembro, greves nas regiões de Brabant Flamenga, Brabant da Valónia e Bruxelas; e finalmente a greve geral a 15 de Dezembro.




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