Há zonas do Baixo Mondego em que o milho está todo destruído
PCP pede celeridade na resposta à calamidade provocada pela tempestade

APOIOS Uma semana depois de a tempestade Leslie ter assolado o País, causando dezenas de milhões de euros de prejuízo, Jerónimo de Sousa esteve no sábado, 20, em Montemor-o-Velho e na Figueira da Foz.

O distrito de Coimbra foi o mais prejudicado. Pelo caminho observámos um cenário desolador, com árvores derrubadas pela raiz ou partidas ao meio, paragens de autocarro estilhaçadas, telhados arrancados, sinalização de trânsito dobrada ou atirada ao chão. Notava-se igualmente um esforço colectivo para que estes vestígios fossem esquecidos o mais rapidamente possível.

O périplo com o Secretário-geral do PCP começou na Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho, onde os prejuízos poderão chegar ao milhão de euros, contabilizando os armazéns, o secador de milho e a unidade de descasque de arroz. Uma situação preocupante, tendo em conta que as cooperativas – que ajudam a aprovisionar e a escoar os produtos – não estão contempladas nas ajudas do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020.

Ali, junto dos agricultores, foi possível recolher dados mais pormenorizados sobre os inúmeros danos nas culturas permanentes e anuais, mas também em vacarias, estufas e outros equipamentos agrícolas.

Plantações dizimadas
Naquela região, estão dizimados cerca de seis mil hectares de plantações de milho, estando em risco de apodrecer na terra 300 milhões de toneladas deste cereal. Segundo Armindo Valente, presidente da cooperativa, cerca de 98 por cento dos produtores não têm seguro agrícola.

«Há zonas do Baixo Mondego em que o milho está todo destruído», relatava um dos agricultores. Outro contestou as «linhas de endividamento» (crédito) avançadas pelo Governo, que não vão «resolver nada».

Outro dos casos dados a conhecer a Jerónimo de Sousa foi o de um produtor de framboesas que viu as estufas totalmente destruídas com a passagem da tempestade. Este jovem agricultor, de 32 anos, teve um investimento inicial avultado, financiado parcialmente com crédito bancário. «Tenho o meu futuro destruído», confessou, considerando insuficientes as ajudas do Governo (85 por cento até 100 mil euros e 50 por cento até 800 mil euros). «Mesmo com todas as linhas de crédito que querem abrir, não vou ter capacidade para me voltar a endividar com mais 70 ou 80 mil euros», face à «perda de rendimento» e ao que ainda tem de pagar à banca: 100 mil euros. Nesta situação estão «muitos outros jovens agricultores» da região, assegurou.

Apoios excepcionais
Exigiu-se, por isso, medidas de apoio excepcionais para os agricultores prejudicados, de modo a que possam retomar a actividade produtiva e salvar uma parte das culturas afectadas. O Secretário-geral do PCP dirigiu palavras de solidariedade aos agricultores e prometeu – «no quadro do Orçamento do Estado e da nossa actividade» – confrontar o Executivo PS com estes problemas.

Mais tarde, junto a um campo de milho totalmente acamado pela força do vento, Jerónimo de Sousa considerou que é urgente mobilizar os apoios disponíveis com a maior celeridade e assegurar a rápida reposição de potencial produtivo.

«É preciso fazer o levantamento dos prejuízos e apoiar estes agricultores e empresários», apelou. A «disponibilidade orçamental» deverá ainda considerar os «rendimentos» que as pessoas não vão auferir.

Também não foi esquecida a necessidade de recuperar as estruturas públicas afectadas e apoio social a quem teve problemas na sua habitação. Jerónimo de Sousa recordou uma recente visita a «terras onde os incêndios lavraram» em 2017, onde os milhões anunciados pelo Governo ainda não chegaram.

Cenário desolador
A comitiva do Partido rumou, depois, para o concelho da Figueira da Foz, onde uma grande parte dos prejuízos dizem respeito a empresas. Afectadas foram também habitações particulares, edifícios e equipamentos municipais e escolas.

Jerónimo de Sousa esteve na Plasfil, unidade industrial integrada no Grupo CIE Automotive dedicada à produção de componentes termoplásticos injectados para o mercado automóvel, na Zona Industrial de Gala.

A parte mais atingida pelo «olho» da tempestade foi o armazém, com cerca de mil metros quadrados, que ficou sem parte da fachada. Pilares que podiam suportar o peso de um «autocarro» dobraram, tal não foi a força do vento.

Também ali, apesar de os seguros poderem cobrir parte dos estragos provocados, o Secretário-geral do PCP reclamou rapidez na atribuição de «apoios ao nosso aparelho produtivo».

A visita contou com a presença e participação, entre outros dirigentes e activistas, de João Frazão e Alexandre Araújo, respectivamente, da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central.

 



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