Manter acesa a chama das lutas prolongadas

Na luta de classes que molda e impulsiona a história e que é particularmente crua nas empresas e locais de trabalho, onde o antagonismo entre Trabalho e Capital se materializa de forma mais objectiva, vitórias e derrotas sucedem-se e são, sempre, transitórias. Desenrolam-se confrontos entre detentores dos meios de produção e criadores de riqueza que se prolongam com avanços e recuos para os explorados, cuja organização, unidade e têmpera revolucionária garantem a resistência a retrocessos – por vezes mais profundos e maiores do que outros precedentes, por vezes significando passos atrás em conquistas recentes –, contribuindo para acumular forças visando intensificar nova ofensiva conquistadora dos assalariados.

Condição indispensável para assegurar a persistência de combates que se arrastam com diferentes graus de intensidade, é a existência de organização comunista nas empresas e locais de trabalho e a sua ligação à situação concreta. Desse pulsar faz parte a comunicação da célula com os trabalhadores.

É neste contexto que o mais recente número do boletim da célula do PCP no Parque Industrial da Autoeuropa, designado «O Complexo», insiste em denunciar as consequências da imposição da laboração contínua em várias unidades fabris que seguiram a bitola na Wolkswagen, contestada pelos trabalhadores.

Desregulação dos horários com efeitos nefastos ma conciliação da vida profissional com a familiar e sub-pagamento do trabalho ao sábado traduzem o aumento da exploração na generalidade das fábricas, onde o descontentamento é crescente, especialmentre na Faurecia, onde os baixos salários praticados são um problema acrescido. Dai que a organização do Partido note no texto a necessidade de prosseguir e incrementar a luta.

Nunca desistir

Situação idêntica quanto ao arrastamento do braço-de-ferro em torno de uma situação concreta decorre na Efacec, em Matosinhos. Em causa está o despedimento colectivo de 21 trabalhadores na área dos transformadores de potência, «os mais honestos e combativos», afirma-se no comunicado da célula divulgado este mês, para quem, tal iniciativa visa quebrar a unidade, a capacidade reivindicativa e de defesa dos direitos por parte dos trabalhadores e das suas estruturas representativas.

«A administração foi ao ponto de afirmar em reunião com as Organizações Representativas dos Trabalhadores, em 2017, que aquando das eleições para a Comissão de Trabalhadores Energia iria dinamizar a formação de uma lista “corporativa” que merecesse a sua confiança e aceitasse os despedimentos».

O propósito patronal não é novo e coloca em xeque o futuro da empresa, estando mesmo em cima da mesa um chamado «”plano de restruturação” aprovado pelo Governo minoritário do PS», alerta-se ainda.

«Mas os trabalhadores sabem por experiência própria que a sua unidade, resistência e determinação são fundamentais para a defesa dos seus direitos e postos de trabalho. E por eles continuarão a resistir e a lutar», garante-se no texto da célula do Partido na Efacec.




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