Em Mangualde o Grupo PSA já não pode alegar que há dificuldades
Por diálogo e salários na PSA em vez de perseguição

LUTA Ao mostrar uma atitude vingativa, a administração do Centro de Produção de Mangualde do Grupo PSA comprovou que a greve tem tido os seus efeitos, apesar de sempre negar tal, notou o SITE C-N.

A empresa, que desde o início deste mês produz todas as marcas da nova geração de veículos comerciais ligeiros do Grupo PSA (Peugeot, Citroën e Opel), desencadeou «um procedimento cirúrgico» contra trabalhadores que têm aderido à greve à «bolsa» de horas, em defesa do direito à conciliação do trabalho com a vida pessoal, familiar e social e contra a desregulação dos horários de trabalho.

A acusação foi feita pelo SITE C-N (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro-Norte), no dia 11, sexta-feira. Numa nota de imprensa, o sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN revelou que a administração comunicou a alguns trabalhadores que teriam de passar para o turno fixo nocturno. Sucede que todos os contactados têm participado na greve, iniciada a 13 de Julho e convocada para todos os sábados até ao fim do ano.

O SITE C-N afirma que estes trabalhadores nunca laboraram noutro regime, a não ser os turnos rotativos de manhã e de tarde, e observa que, sempre que houve necessidade de colmatar falhas no turno da noite, foi solicitada disponibilidade de forma voluntária.

O sindicato recusa pactuar com estes «procedimentos altamente atentatórios do direito à greve, constitucionalmente consagrado», que mostram como a multinacional não olha a meios para tentar travar a luta dos trabalhadores.

Desde o início da greve, a empresa utilizou todos os mecanismos para tentar desmobilizar os trabalhadores e minimizar os efeitos da luta. Logo a 20 de Julho, no segundo sábado de greve, o sindicato indicou as ilegalidades patronais: prolongar o turno da noite, chegando a haver trabalhadores que laboram 16 horas seguidas; contratar trabalhadores através de empresas de aluguer de mão-de-obra; utilizar trabalhadores que estão em formação através do IEFP.

 

Outro caminho

Para o sindicato, a PSA, em vez de perseguir trabalhadores que corajosamente exerceram o direito à greve em Mangualde, deve abrir espaço ao diálogo na fábrica, para resolver o desgaste provocado pela «bolsa» de horas e concretizar um real aumento salarial, acabando com as constantes mudanças dos mapas laborais, e garantindo a jornada de 8 horas de trabalho e os dois dias de descanso consecutivos (sábado e domingo).

Se, em tempos, os trabalhadores aceitaram a criação de uma «bolsa de horas devido ao momento difícil que a empresa atravessava, hoje essa fase já foi ultrapassada.

O Relatório Estrutural da empresa, citado no comunicado sindical, revela que as vendas e os lucros cresceram muito nos últimos quatro anos e que esse aumento foi muito superior ao do número de trabalhadores. Mas a «bolsa» de horas manteve-se, provocando desgaste físico e psicológico dos trabalhadores.

O sindicato defende que agora é o momento para reflectir sobre estes processos de regulação dos horários de trabalho, assim como sobre a necessidade de concretizar um real aumento salarial.

 



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