«Fazer mais, fazer melhor» é o compromisso da CDU para Alpiarça

Em entrevista ao Avante!, os vereadores João Arraiolos e Fernanda Cardigo, e Mário Pereira, candidato à presidência da Câmara Municipal, fazem um balanço crítico dos quatro anos de governação do PS em Alpiarça, marcados pela estagnação, ausência de obra e afastamento da população. A candidatura da CDU propõe um novo ciclo político, assente no trabalho, na proximidade e na defesa dos interesses do concelho.

«A CDU tem história, tem obra feita, tem projecto e tem futuro para Alpiarça»

João Arraiolos começa por recordar que, neste mandato, a CDU elegeu dois vereadores, mas sem pelouros, o que não impediu a força política de se assumir como uma oposição activa e propositiva. «Perdemos a presidência da Câmara por apenas 112 votos. Esse resultado atribuiu-nos uma responsabilidade acrescida, que levámos com seriedade ao longo destes quatro anos», afirma o vereador.

Fernanda Cardigo reforça que, mesmo sem pelouros, os eleitos da CDU procuraram sempre apresentar propostas e alternativas. «Quando votámos contra, apresentámos soluções fundamentadas no nosso programa eleitoral. A nossa acção não se limitou à crítica. Tivemos posições construtivas e coerentes», sublinha.

No entanto, os eleitos da CDU opuseram-se a diversas decisões da maioria, como a extinção da cooperativa municipal AgroAlpiarça – «que revitalizámos [em anteriores mandatos] e que promovia a produção vitivinícola» – ou a venda de imóveis herdados no âmbito do legado de Manuel Nunes Ferreira. «O PS decidiu vender prédios em Lisboa para adquirir património em Santarém e Almeirim. Fomos frontalmente contra», refere o vereador.

Outra questão que motivou forte oposição foi a transferência da recolha dos resíduos sólidos urbanos para a empresa intermunicipal EcoLezíria. «Essa transferência resultou num aumento dos custos para os munícipes e numa degradação do serviço», apontou João Arraiolos.

A degradação dos serviços públicos no concelho é, aliás, uma das críticas centrais dos eleitos da CDU. «Veja-se o caso da Caixa Geral de Depósitos: um serviço essencial foi reduzido a uma máquina e a um funcionário em horário limitado. E a Câmara ainda comprou o edifício, facilitando essa decisão. É incompreensível», critica Fernanda Cardigo. «As pessoas sentem-se penalizadas, incompreendidas, esquecidas. A nossa posição reflecte essas preocupações e é por isso que temos estado sempre ao lado da população», acrescenta João Arraiolos.

Mário Pereira, antigo presidente da autarquia e actual candidato da CDU, considera que a governação do PS, ao longo destes dois mandatos, falhou em toda a linha. «Prometeram muito e fizeram pouco. Apanhámos tempos muito difíceis – troika, cortes, pandemia – e, mesmo assim, fizemos obra e resolvemos problemas estruturais. Agora, com muito mais recursos, o PS não fez nada de relevante», assinala.

De acordo com os eleitos da CDU, a Câmara recebeu, neste mandato, mais 4,6 milhões de euros em transferências do Estado do que no mandato anterior. «Foram praticamente 100 mil euros por mês adicionais. Mas esse dinheiro foi canalizado para despesas correntes, aumento de pessoal e aquisição de bens e serviços, sem deixar obra visível», afirma João Arraiolos. A título de exemplo, refere que «a próxima edição da Alpiagra vai custar quatro vezes mais do que a última realizada pela CDU».

Prioridades para o concelho

Perante este cenário, a CDU apresenta-se às eleições com o lema «Fazer mais, fazer melhor», assumindo um conjunto de prioridades que, segundo Mário Pereira, «respondem às necessidades concretas da população».

A valorização dos trabalhadores municipais surge como primeiro compromisso. «É necessário investir nas condições de trabalho e no reconhecimento das funções desempenhadas», sublinha o candidato. A habitação será outro eixo fundamental. «No nosso mandato deixámos aprovada a Estratégia Local de Habitação, que continua em vigor. Agora é necessário construir casas de raiz para arrendamento acessível e reabilitar o parque habitacional degradado», explica.

Na área da educação, a CDU pretende construir a creche municipal e duplicar o Centro Escolar Abel Avelino, reforçando a resposta pública. Também a zona industrial será uma prioridade, com a dinamização dos lotes devolutos, a alteração dos regulamentos e a expansão da área disponível.

No que respeita à limpeza urbana, a CDU compromete-se a reverter a recolha do lixo para a gestão municipal. «Temos de garantir um serviço eficaz, com investimento em viaturas e pessoal, e aliviar os custos para os munícipes», sublinha Mário Pereira.

A proposta da CDU inclui ainda a criação de espaços verdes nos lugares do Casalinho, Frade de Cima e Frade de Baixo, e o desenvolvimento do Parque Ambiental de Alpiarça – uma estrutura integrada que envolverá o parque de campismo, o parque de autocaravanas, o Alto do Castelo, a Reserva do Cavalo do Sorraia e o Paul do Gocha.

O apoio ao movimento associativo será reforçado, com medidas de incentivo à participação das novas gerações e aumento dos apoios financeiros. Em termos desportivos, a CDU quer recuperar a pista de ciclismo, requalificar o campo do Casalinho, a nave desportiva e criar um skate park.

Também a promoção dos produtos locais está na agenda. «Vamos relançar o Festival do Melão, que afirmámos em dez edições consecutivas, e reforçar a valorização da melancia, da gastronomia e do artesanato», garante o candidato.

A defesa dos serviços públicos será, como sempre, uma bandeira da CDU. «Temos lutado pelos CTT, pelos serviços de saúde, pelas finanças. Sempre com as pessoas», recorda Mário Pereira.

Trabalho, honestidade e competência

Na mensagem final à população, João Arraiolos apela à comparação entre percursos. «Tivemos 12 anos de governação responsável, com redução da dívida em 70% e investimento em várias áreas. Estes quatro anos mostram a diferença entre fazer obra e gastar dinheiro sem resultados».

Fernanda Cardigo destaca a proximidade como traço distintivo da CDU. «É com os alpiarcenses que construímos o nosso projecto, ouvindo, propondo e estando ao lado das pessoas».

Mário Pereira reforça a confiança: «Estamos em melhores condições do que no passado para fazer mais e melhor. A CDU tem história, tem obra feita, tem projecto e tem futuro para Alpiarça».

 



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