Irão resiste à agressão dos EUA e de Israel

As conversações entre o Irão e os EUA, em Islamabad, nos dias 11 e 12, intermediadas pelo Paquistão, foram interrompidas sem que as partes chegassem a acordo, dadas as exigências dos EUA. Com o cessar-fogo ainda em vigor, embora não cumprido por Israel, que continua a agredir brutalmente o Líbano, Washington decidiu impor um bloqueio naval ao Irão.

Durante o período de cessar-fogo e de reínicio de conversações entre o Irão e os EUA, os EUA anunciam um bloqueio no Estreito de Ormuz

Lusa

Anunciado na madrugada de dia 8, a poucas horas do fim do “ultimato”, no qual o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçara fazer desaparecer uma civilização inteira, o cessar-fogo entre o Irão e os EUA – na base dos 10 pontos apresentados pelo Irão – conduziu a negociações, realizadas dias depois no Paquistão, sem que se tivesse chegado a um entendimento até ao momento.

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, manifestou a sua decepção pela interrupção das negociações afirmando que da parte do Irão houve boa fé: «Nas intensas conversações ao mais alto nível em 47 anos, o Irão relacionou-se de boa fé com os EUA para pôr fim à guerra.» Contudo, segundo disse, quando as partes se encontravam a «escassos centímetros» de um entendimento, apareceram obstáculos e uma escalada de exigências por parte de Washington, relacionadas sobretudo com o enriquecimento de urânio e o controlo do Estreito de Ormuz, com os EUA a sugerirem a partilha do controlo sobre o Estreito, proposta que foi rejeitada pela parte iraniana.

O Irão levou às negociações questões como as garantias de segurança contra futuras agressões dos EUA e de Israel, reparações pelos danos causados pela agressão norte-americana e israelita, o levantamento das sanções contra o país, a retirada das tropas norte-americanas da região ou o fim dos ataques também no Líbano, entre outras. Por mais que os EUA tenham procurado fazer crer que o Líbano não se encontrava incluído no cessar-fogo, o primeiro-ministro do Paquistão – mediador das negociações – garantiu que estava. Horas depois do inicio do cessar-fogo, Israel fez mais de 100 bombardeamentos contra o Líbano, assassinando muitas centenas de pessoas e ferindo mais de mil.

Forçado a parar a agressão pela firme resistência manifestada pelo povo iraniano, os EUA procuraram conseguir nas negociações o que não conseguiram pela guerra, na qual não alcançaram nem um dos objectivos – ilegítimos e ilegais – a que se propuseram. Interrompidas as negociações e como nova medida de pressão, os EUA anunciaram a imposição de um bloqueio no Estreito de Ormuz, medida que já foi criticada por diversos países, incluindo da região.

Irão exige reparações
O Irão estima em 270 mil milhões de dólares os prejuízos causados pela agressão militar dos EUA e de Israel, incluindo os danos directos em edifícios e infraestruturas, a perda de receita do Estado ou a paralisação de actividades industriais. A questão das reparações foi colocada por Teerão nas recentes negociações realizadas em Islamabad.

Recorde-se que a 28 de Fevereiro passado, os EUA e Israel iniciaram uma brutal agressão militar contra o Irão, quando decorriam negociações indirectas entre Washington e Teerão. O Irão respondeu à agressão militar retaliando contra Israel e bases militares e outros interesses dos EUA em vários países do Médio Oriente.

Exigência do fim da agressão
Em comunicado no dia 10, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) condenou «veementemente a bárbara agressão ao Líbano e o massacre perpetrado por Israel contra o povo libanês, já após a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo, em que foram assassinadas em poucos minutos mais de 250 pessoas em Beirute, que se somaram às mais de 1500 assassinadas nos dias anteriores».

Para o CPPC, o que se impõe, entre outros aspectos, é o estabelecimento de uma paz justa e duradoura no Médio Oriente, que exige o fim do genocídio do povo palestiniano e da ocupação da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Leste por Israel e a concretização do Estado da Palestina, como determinam as resoluções da ONU; o fim da agressão e da ocupação de territórios de países da região por parte de Israel, como o Líbano ou a Síria; o fim da agressão dos EUA e de Israel ao Irão, incluindo o levantamento das sanções.

A CGTP-IN defendeu um cessar-fogo efectivo que garanta a paz na região. A central sindical «denuncia a cumplicidade do governo português com a agressão do imperialismo norte-americano, não só através do apoio político e diplomático mas envolvendo directamente o País através da permissão tácita da utilização da Base das Lajes como ponto de apoio à força aérea dos EUA».

 

PCP condena a brutal agressão de Israel contra o Líbano

O PCP condenou veementemente os bárbaros bombardeamentos de Israel sobre o Líbano, que provocaram centenas mortos e mais de mil feridos. «Este crime de Israel não pode deixar de ser entendido como uma tentativa de dificultar o anunciado acordo de cessar-fogo e um processo negocial que vise pôr fim às agressões desencadeadas pelos EUA e Israel contra o Irão e outros países no Médio Oriente. O regime sionista de Israel reage, assim e mais uma vez, recorrendo à mais brutal violência sobre as populações», denuncia o PCP em nota divulgada no dia 10.

O PCP repudia igualmente as recentes declarações do presidente dos EUA em que expressou a intenção de fazer regressar o Irão à Idade da Pedra e ameaçou pôr fim a esta civilização. «É lamentável que perante tais inaceitáveis declarações não haja uma clara demarcação por parte de aliados dos EUA, nomeadamente da NATO e da União Europeia», considera o PCP, sublinhando ainda que «os EUA e Israel são o mais perigoso agente de guerra, morte e destruição contra os povos do Médio Oriente e do mundo, incluindo com as suas profundas repercussões no plano económico e social».

O PCP insta a que «o Governo português ponha fim à sua conivência com as agressões dos EUA e de Israel no Médio Oriente e que – como exige a Constituição da República Portuguesa – se empenhe numa política de defesa da Paz, da solução política dos conflitos, de respeito pelos princípios da Carta da ONU e do direito internacional».

O PCP rejeita ainda o curso de militarização e belicismo que continua a ser promovido pelos EUA, e os seus aliados, como a NATO, a União Europeia ou Israel, e denuncia que, para além das sérias ameaças que este comporta para a Humanidade – e que se tornam cada vez mais evidentes –, tal curso significa inevitavelmente um brutal ataque às condições de vida dos trabalhadores e dos povos.

O PCP expressou ainda a sua solidariedade aos povos palestiniano, libanês e iraniano, assim como a todos os povos do Médio Oriente e do mundo que se confrontam com a agressão do imperialismo, e apelou ao fortalecimento da luta pela paz e a solidariedade.

 



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