Conversetas de ocasião
As conversetas que o Governo PSD/CDS vem promovendo com a UGT e com as organizações patronais, procurando avançar quanto possam no ataque aos direitos dos trabalhadores, revelam três ou quatro elementos que não é demais sublinhar.
O primeiro decorre do facto de a CGTP-IN ter sido afastada destas mal ditas negociações, apenas pelo facto de ter assumido a defesa intransigente dos direitos de quem trabalha. A CGTP-IN tem propostas para alterar a legislação laboral. Só que não são do agrado dos patrões, porque o objectivo de tais propostas é melhorar as condições de vida de quem trabalha. Ora o Governo abriu este processo, respondendo a uma encomenda dos patrões, falando de modernização das relações laborais, mas tendo como único propósito degradar ainda mais as condições de trabalho e criar condições para aumentar a exploração, permitindo uma ainda maior concentração e acumulação da riqueza.
O segundo, que decorre deste, é que ao fim de tantos anos a valorizarem a Concertação Social, a tecerem-lhe loas e a desfiarem vantagens sobre o diálogo social, basta o diálogo não lhes servir para o atirarem borda fora e passarem a conversar apenas com aqueles que consideram moldáveis aos seus interesses. A Concertação Social é boa, desde que ninguém discorde a sério.
O terceiro é que a insistência de António José Seguro no prosseguimento do “diálogo”, não se pronunciando sobre o sentido em que ele deve ser feito, nem exigindo a participação de todas as partes, visa apenas assegurar um qualquer acordo, para lhe evitar o veto com que se comprometeu durante a campanha eleitoral, confirmando os alertas que, atempadamente, fizemos, sobre o respaldo à política de direita que a sua eleição significaria.
O quarto é que o prolongamento destas reuniões é bem o sinal de que a luta vale a pena. De facto, não fosse a ampla acção e luta dos trabalhadores, em que a denúncia prontamente promovida pela CGTP-IN e pelo nosso Partido desempenhou papel central e em que a greve geral de 11 de Dezembro foi um marco maior, beneficiando de sucessivas jornadas a partir das empresas e locais de trabalho e libertando novas forças para as lutas que prosseguiram, e o Governo e os patrões estariam há muito a celebrar com champanhe cada um das medidas que avançaram já no Verão passado.
Uma luta que, perante tanta conversa da treta, vai continuar!




