Conversetas de ocasião

João Frazão

As conversetas que o Governo PSD/CDS vem promovendo com a UGT e com as organizações patronais, procurando avançar quanto possam no ataque aos direitos dos trabalhadores, revelam três ou quatro elementos que não é demais sublinhar.

O primeiro decorre do facto de a CGTP-IN ter sido afastada destas mal ditas negociações, apenas pelo facto de ter assumido a defesa intransigente dos direitos de quem trabalha. A CGTP-IN tem propostas para alterar a legislação laboral. Só que não são do agrado dos patrões, porque o objectivo de tais propostas é melhorar as condições de vida de quem trabalha. Ora o Governo abriu este processo, respondendo a uma encomenda dos patrões, falando de modernização das relações laborais, mas tendo como único propósito degradar ainda mais as condições de trabalho e criar condições para aumentar a exploração, permitindo uma ainda maior concentração e acumulação da riqueza.

O segundo, que decorre deste, é que ao fim de tantos anos a valorizarem a Concertação Social, a tecerem-lhe loas e a desfiarem vantagens sobre o diálogo social, basta o diálogo não lhes servir para o atirarem borda fora e passarem a conversar apenas com aqueles que consideram moldáveis aos seus interesses. A Concertação Social é boa, desde que ninguém discorde a sério.

O terceiro é que a insistência de António José Seguro no prosseguimento do “diálogo”, não se pronunciando sobre o sentido em que ele deve ser feito, nem exigindo a participação de todas as partes, visa apenas assegurar um qualquer acordo, para lhe evitar o veto com que se comprometeu durante a campanha eleitoral, confirmando os alertas que, atempadamente, fizemos, sobre o respaldo à política de direita que a sua eleição significaria.

O quarto é que o prolongamento destas reuniões é bem o sinal de que a luta vale a pena. De facto, não fosse a ampla acção e luta dos trabalhadores, em que a denúncia prontamente promovida pela CGTP-IN e pelo nosso Partido desempenhou papel central e em que a greve geral de 11 de Dezembro foi um marco maior, beneficiando de sucessivas jornadas a partir das empresas e locais de trabalho e libertando novas forças para as lutas que prosseguiram, e o Governo e os patrões estariam há muito a celebrar com champanhe cada um das medidas que avançaram já no Verão passado.

Uma luta que, perante tanta conversa da treta, vai continuar!

 



Mais artigos de: Opinião

Que linda é a Festa do Avante!

Esta semana tem lugar a acção de afirmação da Festa do Avante!, com dezenas de acções de divulgação por todo o País. Faz, em 2026, 50 anos que a Festa do Avante! se realizou pela primeira vez, em 1976, na FIL e, a partir daí, iniciou um percurso, não isento de dificuldades, em que, com...

Faces da mesma moeda

A União Europeia apostou muitas cartas nas eleições que se realizaram na Hungria, no passado dia 12. A alimentada, anunciada e propagada derrota do partido Fidesz de Viktor Orbán concretizou-se com uma expressiva vitória do partido Tisza, de Peter Magyar. O alívio e o regozijo fizeram-se logo ouvir. Roberta Metsola,...

Nem um bocadinho, nada!

(É possível que este texto já esteja desactualizado quando for publicado, pois a realidade move-se depressa por estes dias, mas o essencial é intemporal) Na madrugada de 8 de Abril, a horas do fim do “ultimato” – mais um! – a que se seguiria o desaparecimento de uma “civilização inteira”, EUA e Irão anunciaram um...

Ser livre, ser liberal

Num mundo em que pretendem que as aparências se sobreponham à realidade é por vezes fácil encobrir posicionamentos que, mais do que convergentes, são em muitos aspectos idênticos e coincidentes com os mesmos interesses de classe. Apesar de ter passado despercebida a discussão que se realizou na Assembleia da República a...

Terminais rodoviários

Alguns factos: os terminais rodoviários fazem falta. Mais ainda se forem rodoferroviários. É necessário que tenham condições (salas de espera, parque de estacionamento, informação de qualidade ao utente). E até hoje, IL, CH, PSD e CDS estiveram literalmente a marimbar-se para os terminais rodoviários. Então, como...