Terminais rodoviários
Alguns factos: os terminais rodoviários fazem falta. Mais ainda se forem rodoferroviários. É necessário que tenham condições (salas de espera, parque de estacionamento, informação de qualidade ao utente). E até hoje, IL, CH, PSD e CDS estiveram literalmente a marimbar-se para os terminais rodoviários.
Então, como explicar o súbito interesse destes quatro pelos terminais rodoviários? Pela simples razão de uma multinacional (Flixbus) estar a exigir do poder político português que levante as barreiras de acesso ao seu uso dos terminais rodoviários. E para esta malta, as multinacionais são quem mais ordena. E as leis já foram quase todas colocadas a seu favor, que para isso anda a UE a fazer pacotes de liberalização uns atrás dos outros desde os anos 90.
Falam nas maravilhas da concorrência, e usam-na como desculpa para abrir todas as portas à multinacional, mas a realidade é que estão a construir um sistema onde as empresas nacionais deixam de ter possibilidade de concorrer e são forçadas a serem subcontratadas pela multinacional. E onde a oferta encolhe ainda mais se o Estado não aumentar – e muito – o financiamento do sistema.
Os mesmos que recusavam qualquer apoio à Rodoviária Nacional, hoje apoiam o derrame de bem mais de mil milhões de euros anuais a apoiar o transporte rodoviário privatizado. Andamos a financiar autocarros que concorrem com os comboios que também financiamos, a financiar lucros em vez de garantir aumentos de oferta, a construir um inferno ineficaz de contratualizações e subcontratações e regulações e assessorias jurídicas e tribunais arbitrais, quando o que fazia falta era um sistema articulado, planeado e eficaz de transportes públicos.
As liberalizações são como a banha da cobra. Quando se ouve o vendedor, parece o Santo Graal da medicina. Quando se toma, só faz é mal.




