É na confiança que a coragem cria raízes e floresce todos os dias

Rui Fernandes (Membro da Comissão Política)

Este é um tempo de comemoração e luta

Numa situação internacional caracterizada por grandes incertezas, instabilidade e ameaças de generalização da guerra, o capital monopolista prossegue a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e dos povos. Criando um clima de medo e alarmismo, tudo faz para aprofundar a exploração, concentrar e centralizar a riqueza e agravar as desigualdades sociais.

Ao mesmo tempo a que se assiste ao prosseguimento da escandalosa acumulação da riqueza de uns quantos e ao empobrecimento de muitos, e após um período em que assistimos a operações ideológicas assentes numas aparentes autocríticas quanto a um capitalismo enlouquecido pela gula, hoje não disfarçam o que realmente pretendem, seja na Educação, Saúde ou Segurança Social, seja por via do pacote laboral ou do ataque mais global aos serviços públicos, seja ainda nas acções de ingerência, confrontação e guerra do imperialismo norte-americano.

O que cada vez mais com nitidez sobressai é que para se alcançar um futuro de progresso e justiça social e de desenvolvimento soberano, é necessária a política patriótica e de esquerda de que o PCP é portador e a construção da alternativa política capaz de a assegurar. Tais objectivos são inseparáveis do reforço do Partido, articulado com a luta dos trabalhadores e a convergência dos democratas e patriotas.

Com reforçado empenho, impõe-se a mobilização de todo o colectivo partidário para responder às múltiplas exigências que estão colocadas, incluindo as campanhas sem escrúpulos de mentira e de silenciamento do Partido. Exigências na resposta ao desenvolvimento do quadro político e à dinamização da luta dos trabalhadores e das populações. Intensificação da luta pela Paz.

Exigências também na preparação e dinamização das comemorações do 52.º aniversário da Revolução de Abril que encherão as ruas e avenidas do nosso País. Revolução de Abril, ela própria um exemplo de afirmação de soberania. Revolução de Abril cujos valores e projecto importa afirmar face aos crescentes ataques directos ou velados que lhe são movidos, bem como ao regime democrático. Exigências que se compaginam, que se têm de compaginar, com o reforço da organização do Partido, ou seja, uma organização mais forte para de forma mais eficaz intervir.

Comemoração e luta

Por todo País, este é um justo tempo de comemoração e luta. Comemoração da Revolução de Abril e dos 50 anos da Constituição da República que consagrou as conquistas obtidas no processo revolucionário. Ao contrário do que dizem os seus inimigos e detractores, a Constituição da República não se encontra ultrapassada nem está na origem dos problemas nacionais. Pelo contrário, é no seu incumprimento e na subversão do seu projecto e valores que esses problemas se encontram.

A luta em defesa da Constituição far-se-á tanto melhor quanto mais articulada estiver com a vida, com a luta pelo trabalho com direitos, em defesa do SNS e da escola pública, contra as promiscuidades entre o poder político e o poder económico, pela paz e a afirmação de um Portugal soberano. Em todos os campos da vida os trabalhadores e o povo encontram na Constituição um quadro de referência para a sua luta e proposta, como sucedeu na grande jornada de luta do passado dia 17 de Abril, convocada pela CGTP-IN. Luta que se tem de desenvolver com os olhos postos, no plano imediato, numa grande mobilização para o 1.º de Maio e para as lutas que se lhe seguem.

Com os olhos postos nos problemas concretos que hoje se colocam aos trabalhadores e ao povo, ao regime democrático, à incerteza e perigos que se avolumam em consequência do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, mas também nas possibilidades que, dialecticamente, em cada momento, se abrem de avanços, conquistas e ganhos que reforcem as condições de prosseguimento da luta e intervenção, de reforço do Partido com mais militantes e mais militância, mais camaradas a assumir tarefas, alargando a capacidade de mais e melhor intervir, de cumprir hoje como sempre o seu papel.

 



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