Protestos na Bolívia para travar regresso do neoliberalismo

Continuam os protestos populares na Bolívia contra as políticas neoliberais do Presidente Rodrigo Paz, que foi empossado no cargo há apenas seis meses. Os manifestantes rejeitam as privatizações anunciadas, que poderiam provocar um aumento generalizado dos preços da electricidade, da água potável e dos combustíveis.

Governo de La Paz procura prender dirigente da Central Operária da Bolívia e outros líderes populares

A Central Operária da Bolívia (COB) e suas organizações afiliadas decidiram no passado fim-de-semana não participar em nenhuma mesa de diálogo com o governo do presidente Rodrigo Paz até que sejam anulados os mandados de captura contra o dirigente da central sindical, Mario Argollo, e outros líderes, e libertados os trabalhadores detidos nos protestos. A decisão coincide com o relatório do dia 24, da Administração Rodoviária Boliviana, que registou 50 cortes de estrada em seis das nove regiões do país, depois de na véspera ter fracassado uma segunda operação policial e militar para desimpedir a principal via entre La Paz e Oruro.

A operação governamental falhada, denominada “Corredor humanitário com bandeiras brancas”, procurou no sábado abrir a passagem na estrada de 227 quilómetros entre La Paz e Oruruo, empregando tractores e apoio de polícias e militares, que chegaram a usar gases lacrimogéneos. Assim que se retiraram, os manifestantes reinstalaram os obstáculos na estrada, repetindo-se o fracasso de uma outra tentativa de desbloqueio, na passada semana.

As mobilizações populares são impulsionadas por organizações camponesas, pela COB e por apoiantes do ex-presidente da República Evo Morales, os quais exigem a renúncia do actual chefe do Estado, apenas seis meses depois de assumir o cargo. A organização representante dos trabalhadores bolivianos divulgou uma resolução que a ratifica como a única instância legítima de comunicação e representação nacional e internacional, não reconhecendo negociações paralelas, num contexto de alta tensão política e social após mais de três semanas de protestos.

A COB denunciou que o governo de Rodrigo Paz pretende impor privatizações na Bolívia e que isso poderia gerar aumentos nos preços da electridade, água potável, gás liquefeito de petróleo e gás natural. Os trabalhadores públicos, mineiros e sectores populares ligado à COB cumprem mais de três semanas de mobilizações e bloqueios de estradas que começaram com a apresentação de uma lista com mais de 100 reivindicações sindicais, entre exigências salariais, rejeição das privatizações e repúdio do que denunciam como «abandono estatal». Ao mesmo tempo, reivindicam a renúncia do presidente Rodrigo Paz, a quem acusam de aprofundar a crise e permitir graves actos de corrupção, considerando que não logrou resolver a crise política e económica que atravessa a Bolívia.

Impedir divisões
O executivo tem estado a negociar por sectores, procurando dividir os trabalhadores, mas não conseguiu desmobilizar operários, camponeses, indígenas e transportadores, liderados por organizações como a COB e a Federação de Camponeses de La Paz Tupc Katari. O governo recorreu à estratégia de criminalizar o protesto popular e emitiu «ordens de apreensão» contra vários líderes, entre eles o dirigente nacional da COB, Mario Argollo.

A COB, entretanto, deu orientações a todas as confederações, federações nacionais e centrais operárias departamentais e regionais para actuar com responsabilidade, consciência social e critério humanitário, priorizando a saúde e a vida. Esta norma garante em todos os pontos de bloqueio a nível nacional a passagem imediata e sem restrições de ambulâncias, veículos de emergência médica, pessoal de saúde, brigadas médicas e veículos de transporte de medicamentos, consumíveis médicos e material hospitalar. A disposição protege doentes em situação de emergência, pessoas com deficiência, mulheres grávidas, crianças, adolescentes, adultos idosos e qualquer cidadão cuja vida ou integridade esteja em risco.

 



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