Irão defende soberania e rejeita imposições

Continua a incerteza quanto ao desfecho dos esforços diplomáticos, em curso, mediados pelo Paquistão, para se alcançar um acordo negociado que ponha fim à agressão dos EUA e de Israel contra o Irão.

Paquistão continua a mediar negociações entre Teerão e Washington

O Irão denunciou na terça-feira os actos de agressão dos EUA, que nesse mesmo dia atacaram vários locais em solo iraniano e violaram o seu espaço aéreo. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, referiu-se a uma «violação flagrante» da Carta das Nações Unidas e garantiu que nenhum ataque à segurança do país ficará «sem resposta». A Guarda Revolucionária fez saber que um avião não tripulado norte-americano foi derrubado e outras aeronaves atingidas.

À hora do fecho da nossa edição, não era ainda possível perceber o impacto destes acontecimentos nas negociações indirectas entre os dois países, mediadas pelo Paquistão, mas o momento para estes ataques não deixam de ser reveladores. Certo é que no domingo, 24, as autoridades paquistanesas anunciaram avanços «prometedores» nos esforços diplomáticos visando alcançar um «entendimento final» entre o Irão e os EUA, após conversações mantidas em Teerão pelo chefe do estado-maior do exército paquistanês, general Asim Munir.

Durante a sua visita ao Irão, o general paquistanês encontrou-se com o presidente Masoud Pezeshkian; o presidente do parlamento, Mohammad Baquer Qalibaf; e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi. Segundo a agência noticiosa turca Anadolu, os contactos de Asim Munir incluíram também conversas telefónicas com altos responsáveis norte-americanos.

Sem acordo iminente
Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Baghaei, confirmou que já se chegou a acordo sobre vários dos temas em discussão, mas rejeitou que um acordo final esteja iminente. O objectivo das negociações, acrescentou, é pôr fim à guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, e o Irão não está nesta fase a discutir os detalhes do seu programa nuclear. Em relação ao Estreito de Ormuz, reafirmou que a gestão da passagem marítima é da exclusiva responsabilidades dos Estados costeiros – Irão e Omã – e garantiu que o seu país está a desenvolver um protocolo para garantir o trânsito seguro em troca de compensações financeiras.

Segundo a agência Fars, o avanço das negociações dependerá também do descongelamento dos fundos iranianos. Já noutras ocasiões os EUA não cumpriram os seus compromissos em relação a esta matéria, pelo que as autoridades do Irão se recusarão a negociar sem que este preceito seja cumprido, informa.

Central é também a questão do Líbano, com o Irão a exigir o fim da agressão israelita a esse país. Nos últimos dias, as forças israelitas intensificaram a sua ofensiva: só na terça-feira, bombardearam dezenas de alvos provocando várias vítimas mortais, que ultrapassam já os 3100 desde o início da mais recente agressão israelita. Sobretudo no sul do país, muitos bairros e localidades estão reduzidos a escombros. A UNICEF alerta para os graves traumas que as crianças libanesas estão a enfrentar.

Nos últimos dias, e à revelia de tudo o que vinha sendo negociado, o presidente norte-americano Donald Trump veio condicionar a paz à assinatura por parte de vários países árabes dos “Acordos de Abraão”, visando o “reconhecimento” de Israel sem quaisquer contrapartidas relativas à criação do Estado da Palestina. Os “acordos” são fortemente repudiados pelas organizações de resistência palestiniana e pelos povos da generalidade dos países do Médio Oriente e Norte de África: até ao momento, apenas Barein, Emiratos Árabes Unidos, Marrocos e Sudão aderiram.

 



Mais artigos de: Internacional

Crimes de Israel não podem ficar impunes

As agressões de Israel contra activistas da acção humanitária com destino à Faixa de Gaza foram condenadas por várias organizações, incluindo o PCP, que reafirmou a sua solidariedade com a luta do povo palestiniano.

EUA inventam pretexto para nova agressão a Cuba

Cuba rejeitou e condenou nos termos mais enérgicos a acusação dos EUA contra Raúl Castro, destacado líder da Revolução Cubana. «Trata-se de um acto desprezível e infame de provocação política», afirma Havana.

Protestos na Bolívia para travar regresso do neoliberalismo

Continuam os protestos populares na Bolívia contra as políticas neoliberais do Presidente Rodrigo Paz, que foi empossado no cargo há apenas seis meses. Os manifestantes rejeitam as privatizações anunciadas, que poderiam provocar um aumento generalizado dos preços da electricidade, da água potável e dos combustíveis.

Chipre: «AKEL está aqui, forte, no parlamento e entre o povo!»

«AKEL está aqui, forte, no Parlamento e entre o povo! Esta noite começa uma nova tendência de crescimento. Um caminho que marca não só a recuperação das nossas percentagens, mas também o voto de confiança que recebemos da sociedade». As palavras são de Stefanos Stefanou, Secretário-Geral do...

Colbert e a síndrome de ditadura monopolista

O cancelamento do programa de Stephen Colbert, o famoso Late Night Show, é o último sintoma da síndrome de ditadura monopolista nos EUA. O despedimento de Colbert foi, tecnicamente, um suborno: o canal CBS silenciou as críticas inconvenientes do humorista liberal à administração Trump e, mais recentemente, à decisão do...

A UE fala de trabalhadores sem falar dos seus direitos

O Parlamento Europeu debateu “A urgência de concretizar o mercado único: garantir segurança e previsibilidade às empresas da UE e empregos de qualidade”. A decisão de “enxertar” uma referência a empregos de qualidade na urgência da conclusão do mercado único já era, por si só, reveladora da secundarização do trabalho e...