Cuba reafirma soberania e resistirá perante agressão
«Nós somos um país pacífico, não promovemos a guerra, mas a solidariedade e a cooperação», afirmou o Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, a uma estação de televisão norte-americana, reafirmando a determinação do seu povo em resistir, mesmo perante uma eventual agressão militar norte-americana.
Os povos de Cuba e dos EUA não querem a guerra, garante Miguel Diaz-Canel
Miguel Diaz-Canel recebeu há dias, em Havana, uma equipa da cadeia norte-americana NBC, a quem concedeu uma entrevista. Questionado sobre as ameaças proferidas pelo Presidente dos EUA, o dirigente cubano garantiu que o seu povo tem muito arraigados os valores da soberania e da independência e não está disposto a renunciar às conquistas da Revolução. Tanto nas guerras de independência, há 150, como sobretudo na Revolução de 1959, recordou, o fim da submissão a potências estrangeiras foi sempre uma questão central da luta do povo cubano. E assim continua.
Poderiam os EUA fazer em Cuba o que fizeram na Venezuela ou no Irão, sequestrando ou assassinando o seu dirigente, perguntou a jornalista? Miguel Diaz-Canel respondeu que quem assume responsabilidades na Revolução cubana tem para com ela – e para com o heróico povo de Cuba – um compromisso de, se preciso for, «dar a vida pela Revolução, pela causa que defendemos». «Se chegar o momento, não creio que haja justificação para os EUA agredirem Cuba ou para que tentem dar um golpe cirúrgico ou o sequestro do Presidente. Mas se tal acontecer, haverá combate, haverá luta», afirmou.
Não aceitando comparar o seu país com nenhum outro, pois são diferentes os seus percursos, o Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba lembrou que a direcção da Revolução cubana não está centrada numa só pessoa: «é uma direcção colectiva na qual há unidade, coesão (...) e disciplina revolucionária.» Eliminar uma pessoa dentro desta estrutura, garantiu, «não resolve nada, pelo contrário, há centenas de pessoas em condições de ocupar essa responsabilidade e, de maneira colectiva, resistir».
Miguel Diaz-Canel referiu ainda que Cuba nada fez que ofendesse os EUA e insistiu na defesa da paz entre os dois países – até porque, garante, é esse o desejo de ambos os povos. Cuba tem uma doutrina de defesa totalmente defensiva, que assenta na participação popular: «cada cubana e cada cubano tem uma missão, um propósito, um objectivo a defender, um lugar e uma posição a ocupar na defesa do país».
O bloqueio mata
O Presidente da República de Cuba enviou também uma mensagem à II Conferência Internacional Contra Medidas Coercivas Unilaterais,organizada pela Relatora Especial da ONU sobre o impacto negativo destas, que decorreu dias 9 e 10 de Abril, em Genebra. Na missiva, explicou que a recente chegada a Cuba de um navio petroleiro russo com 100 mil toneladas de combustível converteu-se num facto extraordinário devido à ameaça norte-americana de sancionar qualquer país que comercie hidrocarbonetos com Cuba.
Miguel Diaz-Canel denunciou que o bloqueio energético imposto pelos EUA é responsável por prolongados cortes diários de energia e pela escassez de água e de gás. Informou ainda que mais de 96 mil cubanos, incluindo 11 mil crianças, aguardam cirurgias devido à falta de electricidade, mais de 16 mil doentes necessitam de radioterapia e 2888 pessoas que dependem de hemodiálise são afectadas pela interrupção de serviços que exigem um fornecimento estável de energia.
Ou ainda que as escolas e as universidades tiveram de reajustar os seus currículos e recorrer ao ensino online para garantir a continuidade do processo educativo. Também o transporte público e privado está praticamente paralisado.




