Venezuela foi alvo desde 2014 de quase um milhar de sanções
A República Bolivarina da Venezuela é alvo, desde 2014, de medidas coercivas unilaterais impostas pelos EUA, por outros países e pelo sistema financeiro internacional, contra a economia, as finanças públicas, a indústria petrolífera e o comércio externo. A denúncia é do Observatório Venezuelano Antibloqueio, um organismo governamental, que refere quase um milhar destas medidas, que impedem operações financeiras, bloqueiam activos e estabelecem severas restrições ao acesso a alimentos, medicamentos, matérias-primas e bens essenciais, incluindo vacinas durante a pandemia de COVID-19.
As medidas coercivas unilaterais – ilegais e criminosas à luz do direito internacional – afectam o aparelho produtivo e acarretam duríssimos impactos nas condições de vida e nos direitos do povo venezuelano. O aparelho produtivo da Venezuela foi duramente atingido; o ingresso em divisas no país caiu 90% de 2015 a 2022, gerando um défice no orçamento nacional e afectando a prestação de serviços públicos e os programas destinados à protecção social. As sanções golpearam duramente a economia, estimularam a fuga de divisas e o enfraquecimento da moeda e obstaculizaram os investimentos, com o consequente encerramento de empresas e queda do produto interno.
O bloqueio foi escondido pelos meios de comunicação social dominantes. Impôs-se uma narrativa que ocultou os seus perniciosos efeitos e responsabilizou o Governo bolivariano por tentar superar as sanções e procurar alternativas para o seu comércio externo. Apesar de tudo, a Venezuela bolivariana recuperou a partir de 2021 o crescimento económico e, desde então, tem sido um dos países que mais cresce na América Latina e nas Caraíbas.
O Observatório considera que derrubar o mundo da desinformação e das falsas narrativas é também vencer o bloqueio e, por isso, tem divulgado factos e estatísticas que mostram as consequências das sanções e medidas extorsivas impostas pelo imperialismo. Estima que, em resultado das medidas coercivas unilaterais impostas pelos EUA, a Venezuela perdeu, entre 2015 e 2022, cerca de 40 mil milhões de dólares anuais. E relembra alguns dos recursos e activos venezuelanos mais importantes roubados, confiscados ou retidos no exterior: sete mil milhões de dólares retidos em bancos, incluindo cerca de 1,5 mil milhões no Novo Banco, em Portugal; cinco mil milhões de dólares retidos pelo FMI; dois mil milhões de dólares em 31 toneladas de ouro confiscadas pelo Banco de Inglaterra; e 13 mil milhões de dólares da empresa petrolífera venezuelana Citgo confiscada pelos EUA.
Nicolás Maduro, o Presidente da República Bolivariana da Venezuela, que foi raptado e sequestrado, juntamente com a esposa, a deputada Cilia Flores, durante a brutal agressão militar dos EUA, a 3 de Janeiro, há mais de 100 dias, e que continua ilegalmente detido em Nova Iorque, afirmou, em finais de 2022: «A Venezuela tem direito à liberdade de comércio e de produção e o que se pretende é impor-nos um sistema colonial. Não podemos vender nem comprar petróleo, a isso chama-se colonialismo no século XXI.»




